Para discutir com a comunidade o direito à utilização da cannabis para uso medicinal no Brasil, pesquisadores, médicos e pacientes participaram do “Fórum de Cannabis Medicinal,” na tarde desta sexta-feira (6/4), na Câmara Municipal de São Paulo.

Maria Madalena de Oliveira trouxe Beatriz Oliveira de 20 anos. Há três, ela faz uso da cannabis como medicamento para auxiliar no tratamento da filha que tem paralisia cerebral e crises de epilepsia desde os oito anos de idade.

“Eu queria que os políticos olhassem com mais coração, porque a maconha é uma planta sagrada. Quando a gente vê uma pessoa com dores crônicas, como no caso da minha filha, e você pode melhorar com a erva, a gente precisa fazer esse apelo.”

O doutor em Neurociência da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Renato Filev, contou um pouco sobre os seus últimos dez anos de pesquisa sobre a cannabis e seus benefícios.

“É importante a gente destacar que a ciência busca isolar o composto que seja ultra puro da cannabis, que tenha poucos efeitos colaterais, mas, a própria natureza vem selecionando a planta há milhares de anos através da coevolução junto com a humanidade,” explicou o pesquisador.

Os participantes falaram também sobre a falta de regulamentação do uso da cannabis no País, como lembrou a vereadora Soninha (PPS), que esteve à frente do Fórum.

“Desde quando uma Agência tem o poder para receitar ou proibir alguma coisa? Como a Anvisa pode saber mais que um médico sobre o seu paciente? Um bom caminho é disseminarmos a informação para as pessoas começarem a entender sobre o que estamos falando”.

Pioneiro nas pesquisas sobre o assunto, o professor Elisaldo Carlini, 88 anos, observou que o País vive um retrocesso. “Nós não podemos continuar com tantos anos de atraso em relação a este assunto de um novo medicamento. Há cinco mil anos a maconha já era receitada.”

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